Grande parte das dificuldades financeiras está ligada a hábitos financeiros ruins, repetidos no dia a dia de forma automática e imperceptível. Sabe aquele cafezinho que você toma na cafeteria todo dia, a assinatura que você nem usa mais, os parcelamentos sem juros. São pequenos hábitos, consegue ver? E estão acabando com seu dinheiro, sem que você veja.
Compras impulsivas, falta de planejamento e metas são comportamentos que levam a gastos que ultrapassam a receita das pessoas, ou seja, os ganhos reais, e geram prejuízo financeiro e acúmulo de dívidas. Entenda que isso não acontece só com você, sendo resultado de pouca consciência financeira, aliás não somos ensinados a compreender isso na escola, mas dá para buscar mais conhecimento, e conseguir organizar suas finanças de uma forma mais saudável.
Vamos fazer isso com calma, mas é importante perceber o que na rotina pode estar sendo ruim, e entender que esse cenário também acarreta grande preocupação, estresse e sobrecarga emocional e mental.
Dados divulgados pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), informaram que o Brasil contava com 61 milhões de endividados, 1 em cada 3 adultos está nessa situação. Muitos não entendem como chegaram nessa situação, pode ter sido um parcelamento sem juros, um empréstimo, compras acumuladas.
E outra pesquisa, realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) com mais de 3 mil pessoas em 2018, apontou que 56% dos brasileiros declararam interesse em investir em produtos financeiros naquele ano, mas apenas 8% deles conseguiram realizar alguma aplicação. (ARTIGO DA ONZE)
Esses dados comprovam haver um problema de educação financeira estrutural no nosso país.
Então vamos pensar que além de você se educar financeiramente, é preciso colocar em prática o um planejamento financeiro real, que represente sua situação atual detalhadamente, e seguindo o orçamento, você vai conquistar uma boa saúde financeira, emocional e mental.
Aqui vamos te ajudar com isso, com o tempo vai ficar cada vez mais fácil, e você vai cultivar comportamentos sustentáveis ao longo do tempo, evitando prejuízos e alcançando objetivos financeiros.
A seguir, estão alguns dos comportamentos que sabotam a sua saúde financeira, e depois vamos entender mais sobre eles, com mais informações é mais fácil evitar o efeito dominó. Elencamos aqui os principais:
- Não planejar o orçamento
- Usar o cartão de crédito como extensão da renda
- Pequenos gastos recorrentes e não planejados
- Mudar o padrão de vida
- Não acompanhar o planejamento ou manter atualizado
Reforço que esses hábitos podem não parecer graves isoladamente, mas, ao longo do tempo, repetindo com frequência, impede conquistas, comprometem o orçamento, levam ao endividamento e demonstram a falta de alinhamento entre padrão de vida e renda real.

Não planejar o orçamento (quanto ganha e quanto gasta)
Estima-se que 70% dos brasileiros não controlam o que ganham e gastam.
Um dos hábitos financeiros mais comuns e mais nocivos é não ter clareza sobre a própria realidade financeira. Muitas pessoas sabem quanto recebem, mas não sabem exatamente para onde o dinheiro vai, pois não acompanham os gastos, e não cria limites para eles. O dinheiro entra na conta, e no dia 20 já não tem mais nada, por gastar com o que não pode vive no aperto, não consegue guardar dinheiro e não cria uma reserva de emergência.
Planejar não significa prever tudo, mas estar consciente da sua realidade. Quando não existe controle, o padrão de vida tende a crescer de forma desordenada. Sem um orçamento bem estruturado, os gastos se acumulam de forma desorganizada, dificultando:
- O controle das despesas
- A criação de uma reserva de emergência
- O planejamento financeiro de médio e longo prazo
- Realização de sonhos/metas
- Alinhamento do padrão de vida com os ganhos reais
Um orçamento financeiro deixa evidente, qual a sua receita, quanto você tem que destinar a gastos fixos (impostos, aluguel, conta de luz e água), qual o limite para outros gastos (aqueles que são variáveis, alimentação, transporte, lazer). Você cria o hábito de registrar os gastos, tendo um controle do quanto está gastando com cada coisa, e consegue evitar que seus gastos ultrapassem sua renda, assim como se organizar para criar uma reserva de emergência.
Comece a resolver isso hoje mesmo, baixe um aplicativo gratuito (Mobills, Organizze). Pegue os extratos dos últimos 3 meses e anote tudo o que você gastou, TUDO mesmo, aluguel, conta de energia, água, delivery, presente, saídas com amigos, sorvete que tomou, cafezinhos etc. Some os gastos, compare com sua renda, e delimite o quanto você pode gastar com o que for essencial, quanto você pode gastar com o que você quer e gosta de fazer, e quanto é possível guardar diante do quanto você recebe por mês.
Sem essa visão, você vive em um cenário de preocupação constante, a ausência de planejamento faz com que qualquer imprevisto, uma emergência médica, perda de emprego ou gasto necessário inesperado, gere desequilíbrio imediato. Não se planejar financeiramente é como viver no curto prazo, isso sabota a estabilidade financeira e a saúde emocional.

Usar o cartão de crédito como extensão da renda
Outro hábito que compromete seriamente a vida financeira das pessoas é usar o cartão de crédito de forma descontrolada, como complemento da renda. Parece que você tem mais dinheiro, mas é ilusão. Gastos recorrentes e desordenados no cartão de crédito ultrapassam a sua capacidade financeira real.
Parcelamentos longos, uso constante do limite do cartão, acúmulo de cartões de crédito (tem 4, 5, 6 cartões), paga o mínimo da fatura, está sempre no limite, e realiza compras recorrentes de baixo custo, um pouco de tudo, isso cria uma falsa sensação de poder de compra, quando, na realidade, estão antecipando e contando com uma possível renda futura, incerta. No final, acabam se acumulando aumentando a desorganização financeira.
A questão do acúmulo de cartões, por exemplo, poderia ser uma ferramenta para uso em uma situação urgente, no caso de não se ter uma reserva. Isso vale demais.
Contudo, mais cartões de crédito levam a ilusão de que você “ganha” mais poder de compra, isso é irreal, pois não houve mudança de seu cenário financeiro, e se você usa um cartão extra, os gastos vão ficando desorganizados, fica mais difícil acompanhar. É uma ilusão de poder de compra. Quite as parcelas dos cartões e foque os gastos em um cartão, deixe os outros cartões para emergências.
O uso excessivo do cartão de crédito é uma bola de neve crescendo lentamente, e o maior risco é gerar endividamento, esse comportamento:
- Distorce a percepção de quanto realmente se pode gastar
- Gera pagamento de juros ou multas, aumentando o prejuízo financeiro
- Compromete o orçamento dos meses seguintes
Para sair disso, pague as faturas completas, anote os extratos de todos os seus cartões, entenda quanto você deve em cada um, cancele os que não precise, direcione um para emergência e tenha o mínimo possível. Foque em comprar no cartão quando já tiver o dinheiro, organizando tudo, com o tempo essa vai ser sua realidade.
Aliás, esse hábito também se estende ao uso do cheque especial ou empréstimos, que pode resultar em pagamento de juros ou multa, e também, em dívida.
Sobre cartões de crédito vale se informar mais, consulte no nosso blog outros artigos que detalha o tema e reforçam os cuidados necessários ao usá-los e se tiver mais de um, quais hábitos são mais saudáveis.
Abaixo há 2 posts, aqui do blog, que irão te informar melhor sobre a problemática e dar dicas de como usar o cartão de crédito de forma inteligente.
Quantos Cartões de Crédito Você Deve Ter? Vantagens, Riscos e Dicas Práticas
7 Armadilhas do Cartão de Crédito (E Como Fugir Delas)

Pequenos gastos recorrentes e não planejados
Gastos pequenos e frequentes costumam passar despercebidos, mas também é um risco. Ao final do mês geram impacto significativo no orçamento. Esses gastos por vezes são impulsivos, ocorrem diante de promoções, e você não avalia se realmente precisa do produto.
Assinaturas de streamings (Netflix, Spotify, Amazon prime, Kindle Unlimited, Uber, ou aquele cafezinho recorrente, lembra?), revistas/jornais ou outros serviços pouco usados, academia, cota de clube, taxas bancárias, compras pequenas. Que no final não foram realmente planejadas.
Seja com lazer (assinaturas), alimentação, objetos (para casa, acessórios), somado a outros, vão se acumulando, e a real é que muitos desses gastos são desnecessários, certo? Realizados por impulso, inércia de cancelamento e se somam as despesas fixas. Vejo que há compras que geram até arrependimento. Planejamento é o antidoto, cancele o que não usa, evite gastar com o que não precisa, essas são formas de cuidar da sua estabilidade financeira.
Sem uma visão do cenário e repetição de comportamentos, que se tornam rotineiros, quase inofensivos, quando chega ao final do mês compromete a renda. Não só o planejamento, como o acompanhamento regular do orçamento é fundamental, ou esses gastos irão:
- Reduzir sua capacidade de compra
- Gerar desequilíbrio financeiro
- Levar ao endividamento por serem recorrentes
- Acabar com suas reservas
- Impedir o alcance de metas financeiras
O problema não é gastar, mas gastar impulsivamente, ter gastos desnecessários com coisas que não usufrui, sem consciência de para onde o dinheiro de fato está indo e sem planejamento para controlar e organizar os gastos que precisam ser cortados e controlados.
Mudar o padrão de vida
Outro hábito que exemplifica a falta de controle financeiro é a pessoa elevar o padrão de vida quando ocorre um aumento de renda. O aumento da renda não significa, aumento do poder de compra se não há organização do orçamento, sem antes organizar o orçamento ou criar uma margem de segurança, a mudança vai acarretar prejuízo.
Quando isso acontece, segue o mesmo padrão dos outros comportamentos:
- Não cria a reserva de emergência
- O custo de vida sobe rapidamente e ultrapassa o orçamento
- Qualquer imprevisto financeiro vira dívida
O crescimento financeiro saudável acontece quando a renda cresce primeiro e o padrão de vida é ajustado com planejamento, não de forma automática, sem controle do que é feito com o dinheiro.
Não acompanhar o planejamento ou manter atualizado
Muitas pessoas evitam acompanhar o orçamento por ansiedade, medo, culpa ou desconforto. Isso pode ser devido a uma relação ruim com o dinheiro, falta de conhecimento e estrutura para organizar um orçamento, muitos parcelamentos e até dívidas. Estabilidade financeira está diretamente ligada a controle emocional.
O dinheiro é um grande fator de sobrecarga emocional para o brasileiro, não conseguir atender necessidades básicas e acúmulo de dívidas desencadeiam estresse financeiro, ansiedade, depressão, baixa autoestima, esgotamento e outros problemas de saúde mental e emocional. Isso piora a relação com as finanças, prejudica relacionamentos, produtividade e outras áreas da vida.
Portanto, é preciso investir tempo em educação financeira, organização e planejamento financeiro a longo prazo. Isso não vai eliminar todos os problemas emocionais, mas vai amenizar desconfortos.
Apenas olhar para a realidade ou problema não o faz desaparecer, pelo contrário, costuma agravá-lo. Esse afastamento da própria realidade financeira dificulta:
- Identificar excessos
- Corrigir maus hábitos de consumo
- Tomar decisões conscientes
- Criar reservas necessárias
- Planejar a vida financeira a longo prazo
Educação financeira começa pelo hábito de registrar gastos, acompanhar com frequência o orçamento, entender o cenário e revisar as próprias finanças com frequência.

Como romper com esses hábitos financeiros prejudiciais
Romper com hábitos financeiros sabotadores exige consciência, constância e um orçamento realista. O primeiro passo é se educar e entender que um orçamento financeiro não é uma ferramenta de restrição, mas de autonomia.
Ao organizar receitas e despesas, revisar gastos, colocar limites e planejar o próximo mês, você passa a:
- Tomar decisões mais conscientes
- Evitar dívidas desnecessárias
- Controlar melhor o orçamento
- Alinhar o padrão de vida com a renda real
- Ter capacidade para investir
Com o passar do tempo, tendo paciência, se organizando, planejando sua vida financeira, e com controle do orçamento, o equilíbrio financeiro é alcançado. O estresse é reduzido e você cria uma relação mais saudável e consciente com o dinheiro.
Conclusão
Os principais sabotadores da vida financeira não costumam ser grandes erros, mas hábitos recorrentes, comportamentos repetidos no dia a dia, despercebidos, muitas vezes inconscientes e normalizados. Que estão te sabotando. Identificar o problema e se planejar é o primeiro passo para mudar.
Com educação financeira, controle do orçamento e alinhamento entre renda e padrão de vida, ou seja, hábitos saudáveis, o dinheiro deixa de ser um problema constante, e com um bom plano ele passa a ser uma ferramenta para uma vida mais estável e tranquila.
Passamos várias informações aqui, se você leu tudo, isso já é uma passo, agora resta agir, baixe os aplicativos indicados, alguma vai ser mais intuitivo, anote os gatos, analise os extratos bancários, vai registrando todo gasto novo, veja o que pode ser limitado ou cortado, cancele algumas assinaturas, pague as faturas completas. Saiba para onde seu dinheiro está indo, e se conseguir guarde alguma quantia.
Não há como mudar a vida financeira e hábitos do dia para a noite, mas é possível dar o primeiro passo hoje. Qual vai ser o seu?
Pequenas mudanças geram resultado, monte seu orçamento, isso é um compromisso sério com você, para o futuro. Lembre que você não precisa resolver tudo de uma vez, a ideia é começar e ir evoluindo aos poucos, passos pequenos, beleza?
Navegue pelo nosso site, colha mais informações, e mãos a obra. Organize e comece com o que for possível!
